Gangues e Drogas: e as “gavetas sociais”

Por Professor David Zacarias de Brito
No artigo anterior foram abordados os fatores que levam as crianças e jovens a serem atraídos por esses grupos sociais (gangues) e a possibilidade do esporte e as manifestações culturais oferecerem conquistas e perspectivas dentro dos mesmos padrões psicológicos, mas, com um grande fator de contribuição: a formação do cidadão, o desenvolvimento social e a melhoria da qualidade de vida.
Um dos problemas que acelera esse processo de degradação da sociedade, vinculado também a essas questões abordadas anteriormente, é a dependência química, causada pelo uso de drogas (lícitas e ilícitas), as quais desagregam famílias (principal instituição social para a formação ética e moral), atualmente guardadas e esquecidas nas “gavetas sociais”, que são a base da construção e transformação das diversas dimensões que determinam a formação de nossa sociedade.
Nesse sentido, como última alternativa para essas pessoas, têm-se alguns abnegados que trabalham para a recuperação dos dependentes químicos, nas Instituições denominadas Comunidades Terapêuticas.
Para compreender melhor a função dessas instituições, conversei com Maria Cristina Ferreira da Silva, que trabalha na PROJUN, a respeito dos principais fatores que levam a pessoa ao “caminho das drogas”, dos procedimentos ao receber essas pessoas e da ação da Comunidade Terapêutica.
Segundo a especialista, o que leva a pessoa ao uso de drogas é: a falta de afetividade, fruto do abandono, a solidão, sentimento de vazio, angústia, depressão, muita ansiedade, enfim, faz-se o uso como fuga em resposta a uma condição aflitiva.
A partir do momento em que a dependência se instala, passa-se a associar o ambiente em que se insere ao efeito da droga, como também se relaciona o uso de substâncias alucinógenas como maneira de enfrentar o estresse e lidar com situações indesejáveis, pois o uso altera o estado de consciência, dando falsas informações sobre o mundo.
A comunidade terapêutica é um lugar que busca provocar mudança no estilo de vida da pessoa. Espaço de acolhimento, de ouvir, de aconselhar, de mostrar empatia e sensibilização, por fim, provocar a transformação de comportamento, e junto tratar a família, pois, estatisticamente, um dependente químico pode envolver até vinte pessoas de sua convivência familiar e amigos. Como um dos recursos tem-se: o estabelecimento de rotinas diárias de trabalho, formação, relacionamento social e apresentação do mundo real a sua volta.
São também atividades de uma comunidade terapêutica: identificar fatores de risco ao uso, proteção em grupos específicos de recaída e promoção da saúde, religiosidade como fator de proteção e prevenção.
A instituição tem por objetivo construir uma perspectiva de vida, dando possibilidades de traçar metas a serem alcançadas, isto é, transformando as ações realizadas em seu dia-a-dia em ferramentas para enfrentar o mundo real.
Em resumo, as comunidades terapêuticas são a última oportunidade do individuo para se ajustar à sociedade, por isso são muito importantes. A comunidade terapêutica trabalha a integralidade para a mudança. Para um hospital ou clínica seria difícil aplicar esse tipo de abordagem terapêutica. A sociedade precisa prestar atenção porque muitas comunidades terapêuticas estão fechando as portas, por causa da dificuldade de obter subvenção para a continuidade desses projetos.
A sociedade é co-responsável pela saúde publica.
Uma boa quinzena a todos. Professor David Zacarias de Brito








