Futebol: a marca de uma especialização precoce

Por Professor David Zacarias de Brito
Sobre a reclamação do Jogador de futebol Neymar (Santos e Seleção Brasileira) em relação ao tempo de concentração e ao grande número de jogos realizados durante o ano de 2011, (fonte www.globo esporte.com do dia 11/10/11), passo a questionar qual será o reflexo disso no futuro, seja para a longevidade da prática futebolística com qualidade ou para o período pós- profissional de futebol, e a continuidade de sua vida com produtividade em alguma área de atuação.
Tivemos grandes jogadores no passado, poucos sobreviveram com dignidade. Alguns obtiveram ajuda de familiares e amigos, mas grande maioria se perdeu no mundo e na história.
Os dirigentes, empresários e patrocinadores, apenas se preocupam com a unidade de negócio e se esquecem que o ser humano tem suas necessidades, portanto, achar o equilíbrio é fundamental.
Existe hoje uma grande carência de jogadores ”inteligentes” sendo revelados. Os poucos que ainda surgem, passam por especialização muito precoce, o que pode causar a desistência dessa prática esportiva mais cedo.
A cultura futebolística no Brasil acredita que, para jogar futebol, só se consegue atingir sucesso na carreira quem “praticar futebol desde pequeno”. Senso comum, que também se instala em outras modalidades.
Essa prática leva o jovem atleta a entrar num estágio de estresse que, muitas vezes, o leva a parar de jogar em função de outros interesses da idade ou outros aspectos que afetam drasticamente o rendimento durante sua atuação esportiva.
Não existe, ou se existe desconheço, o trabalho de destreinamento no Brasil, que é a preocupação dos que estão para encerrar sua carreira profissional de atleta de rendimento e competitividade em se preparar para a hora em que se fará necessário parar.
A ausência desse tipo de trabalho leva muitos ex-jogadores a perder tudo que construíram sem ao menos ter tido a oportunidade de usufruir suas conquistas sociais, financeiras e materiais. Outros encontram, como fuga, o uso de substâncias químicas que possam tirá-lo dessa realidade indesejável, e, dependentes de drogas ou bebida, perdem tudo: prestígio, fama, bens materiais e até a família, pois não foram preparados para esse momento.
A formação motora da criança deve ser repleta de possibilidades e variedades de movimentos, através de um treinamento multilateral, obedecendo cada fase de desenvolvimento motor para inserir uma diversidade de jogos e brincadeiras, bem como prática de diversos esportes, numa filosofia de trabalho multidisciplinar, que agregue diversas informações, que ficarão armazenadas como conhecimento.
“A inteligência é, fundamentalmente, um processo de produzir novas combinações (criatividade). Não existe criatividade a partir do nada: a criatividade é sempre a construção de elementos preexistentes” (LIMA 1984).
Esses elementos pré-existentes são o repertório motor que se construiu ao longo do tempo com o aluno, e que, serão utilizados no momento certo para executar as combinações necessárias na solução de problemas durante uma partida. Competência decisória (eficiência e eficácia).
Antes, todo esse processo era realizado nas brincadeiras de rua, e na criatividade dos brinquedos. Não temos e não há espaço para essas atividades nos dias de hoje. Essas oportunidades motoras devem ser oferecidas nas escolinhas de esportes e aulas de educação física, isto é, com Profissionais Graduados e com Gestores Administrativos capacitados. Não existe mais espaço para o “eu acho”..., “faz assim mesmo”... ,ou “vai de qualquer jeito”.
Uma boa quinzena a todos. Professor David Zacarias de Brito.








