Endometriose

Por Dr. Renato Ferrari Letrinta
Endometriose é a implantação de tecido endometrial aberrante fora da cavidade uterina. Normalmente, o endométrio é o tecido mucoso que cobre a área interna da cavidade uterina, que responde o estímulo hormonal dos ovários mensalmente e dá lugar à menstruação, quando não ocorre a gravidez.
Existem diferentes teorias que tratam de explicar o desenvolvimento da endometriose em diferentes partes do organismo, que vão desde o refluxo de células endometriais através das tubas uterinas, por via linfática, hematogênica, restos embriológicos e, a mais aceita na atualidade, que é a teoria de que a endometriose se origina devido a uma desordem imunológica.
As manifestações clínicas mais freqüentes dessa doença são infertilidade, dismenorréia (dor durante a menstruação), dispareunia (dor ao ter relações sexuais), dor pélvica crônica, sangramentos intermenstruais e desordens digestivas como diarréia ou cólicas durante a menstruação.
O tratamento varia de acordo com o grau no qual a doença é classificada. Esta se apresenta em 4 graus, de acordo com a Associação Americana de Fertilidade, e qualifica-se por pontos, dependendo de onde se encontram as lesões, seu tamanho e a presença de aderências, obstrução das tubas e de cistos ou endometriomas.
O diagnóstico é feito somente após a observação das lesões suspeitas e execução de uma biópsia para estudo patológico. Esta visão pode ser realizada durante um procedimento cirúrgico por qualquer causa ou quando há suspeita da doença através de uma videolaparoscopia. É necessário que o médico que vá executar o procedimento seja um especialista em infertilidade, para saber como melhor fazer e direcionar o tratamento da doença, tratamento esse que redundará em um melhor prognóstico da fertilidade da paciente.
O importante da videolaparoscopia é que se pode e deve cauterizar (queimar com energia elétrica ou laser) todos os implantes possíveis que possam ser vistos, sempre e quando não estiver nos intestinos ou bexiga, devido ao risco de uma perfuração. Pode-se realizar, também, drenagem e extração ou cauterização da cápsula dos cistos e fazer uma liberação ampla das aderências que possam estar obstruindo as tubas uterinas, ou alterando sua anatomia e funcionalidade.








